Coringa – pelo nosso próprio mal, surge um psicopata

Achei o filme Coringa sensacional. O relato do drama discorre sobre o transtorno de personalidade e os meandros da constituição do mal na sociedade. Infelizmente,      nem todos têm o discernimento para refletir sobre a mensagem do filme. Em uma sala de cinema lotada, ouvi mais risadas que expressões de indignação ou qualquer outra coisa que pudesse evidenciar uma comparação com a nossa triste realidade. Uma pena!

Pois bem, ainda assim, aqui estou eu, como psicóloga e cidadã, para falar sobre o que achei do filme.  Coringa é sensacional no sentido de mostrar o caminho do desenvolvimento da psicopatia.

Pois bem, ainda assim, aqui estou eu, como psicóloga e cidadã, para falar sobre o que achei do filme.  Coringa é sensacional no sentido de mostrar o caminho do desenvolvimento da psicopatia.

A principal necessidade do ser humano é ser amado – e por “ser amado” interprete sentir-se seguro, respeitado, pertencente, reconhecido, querido e realizado. Arthur – o Coringa – vivia uma vida na busca por essas coisas, mas era alguém que representava a “escória” da sociedade, um pobre, um doente cuja doença as pessoas não compreendiam.

Sofreu inúmeras agressões morais e físicas ao longo da sua vida, até que um dia em um ato de legítima defesa comete um crime e, diante da aclamação pública pelo acontecido, encontra um motivo para ser “amado”. Surge um psicopata!

Interessante ver como os autores do filme se preocuparam em mostrar que o transtorno de personalidade do Coringa foi “construído”, ao desvincularem a doença de uma possível herança genética.

Entre os pontos de destaque no filme, também não posso deixar passar a carência revelada de Arthur pela ausência de um pai e a necessidade de um par romântico, claramente expressadas nos seus momentos de divagação mental.

Partindo para minha reflexão sobre a narrativa política no filme, tem-se um governo que pouco preocupa-se com o bem-estar do seu povo, ao contrário demonstra claramente ao que veio ao expressar que precisa haver mesmo uma limpeza na cidade entre os “bons” e os “maus”. Com isso, Arthur, com a prática de um crime, passa a ser um pilar de mobilização de uma massa insatisfeita, cansada e carente de amor, ou seja de segurança, pertencimento, reconhecimento, afeto e realização.  Arthur me lembrou Hitler, que conseguiu captar e se conectar profundamente com o vazio de alma de milhões de pessoas que arrastou facilmente para seu percurso sanguinário.

Minha conclusão ao assistir o drama não é surpreendente, mas é algo sobre o qual poucos refletem: pelo nosso próprio mal, ou seja pela nossa própria falta de compaixão, de acolhimento, de reconhecimento, de afeto, de respeito… de amor, o mal surge na sociedade. Nós com pequenas e grandes ações construímos a sociedade em que vivemos. Já passou da hora de mudarmos nossas atitudes, não?

 

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