Como evitar o emaranhamento sistêmico dos filhos em processo de divórcio

Muitos pais e mães ignoram a percepção dos filhxs, principalmente as menores, em relação a possíveis problemas no seu relacionamento conjugal. É importante saber que a criança tem muitas percepções sobre a relação do casal, principalmente se presencia discussões e brigas entre ambos. Porém, mesmo que o casal seja mais discreto e tente preservar a criança desse tipo de conflito, xs filhxs sentem quando algo vai mal entre os pais, e quando estes chegam ao ponto do divórcio, mesmo já tento sentido o mal estar no seu lar, a criança é fortemente impactada, pois algo que está relacionado a sua existência – o motivo da sua fonte de vida – se desfez, a criança tem, então, um sentimento de desvalia, de desconstrução e “morte”, um vazio intenso. E no sentido de evitar o sofrimento (dela e dos pais), a criança pode ter algumas atitudes inconscientes para resgatar o que foi perdido: a união familiar.

Em se tratando de sistema familiar, é aí que mora o perigo de xs pequenxs se envolverem em emaranhamentos sistêmicos. E embora façam isso por amor, de forma muito inconsciente, o emaranhamento – que é o que o terapeuta alemão Bert Hellinger descreve como problemas que podem impedir o desenvolvimento e bem-estar de uma pessoa – pode causar sérios problemas para uma pessoa, se estendendo muitas vezes ao longo da vida.

Por isso é importante que os pais tomem alguns cuidados com as crianças durante o processo de divórcio, evitando possíveis emaranhamentos. Veja algumas orientações:

 

Seja transparente

A criança, por mais que possa parecer, não é ingênua e percebe quando há um problema entre os pais. Então, converse com ela, deixando claro que os pais são responsáveis pela relação e totalmente capazes de solucionar os problemas, independente do desfecho que tenha a relação. Isso evita que a criança assuma um lugar de “cuidadora” de um dos pais, saindo do seu lugar de filhx, o que seria quebrar a ordem da hierarquia*.

 

Alienação parental é proibida

Um casal consciente sabe reconhecer os malefícios da alienação parental para a criança. Falar mal do ex-companheirx pode influenciar a criança a “tomar partido” do pai ou da mãe e ficar muito confusa. Isso vale para as mínimas afirmações, aquelas “sem maldade” nenhuma, como: “Sua mãe é uma chata” ou “Seu pai é um chato”, “Foi sua mãe que me mandou embora” etc.

A criança entende as coisas de uma forma muito literal e pode, a partir dessas afirmações, ter conclusões equivocadas em relação ao pai ou mãe e entrar em julgamentos e em um movimento de exclusão* de um dos dois.

Não há culpados para o divórcio

Questões sobre de quem é a “culpa” do divórcio não diz respeito à criança. Não discuta esses assuntos na presença dela, muito menos com ela, evitando que ela fique confusa sobre o que pensar.

Honre o ex-companheirx

O melhor que a mãe e o pai podem fazer pela criança é honrar o ex-parceirx. O relacionamento aconteceu até onde devia ter acontecido, mas o pai e a mãe da criança sempre serão o pai e a mãe. O relacionamento deu certo, independente do tempo que ficaram juntos, nxs filhoxs. Nisso também está a atitude de ressaltar a importância do ex-cônjuge na vida da criança, como pai ou mãe, permitindo que a criança desfrute desse amor.

A criança deve saber que é amada

É importante que num momento de instabilidade, como o processo de divórcio da mãe e do pai, a criança sinta-se amparada, protegida e tenha em mente que não é porque o amor entre os pais acabou que o amor por ela também acabará. Nesse sentido, pai e mãe devem conversar com xs filhxs deixando claro o quanto são amadxs. Isso evita um movimento de autoexclusão e sentimento de abandono.

Não alimente falsa esperança

Principalmente se a criança for muito pequena, não alimente falsa esperança de que tudo vai ser como antes. Naturalmente, a criança já tem iniciativas para reaproximar o pai e mãe. Então, é importante deixar claro para ela que papai e mamãe se gostam apenas como amigos, como ela gosta de um amiguinho ou amiguinha na escola, se for o caso, e não vão mais morar juntos. Isso deve ser reafirmado, inclusive, se forem necessárias saídas com todos juntos. Ver o pai e a mãe juntos em eventos sociais pode alimentar expectativas e é importante não esquecer da conversa sobre a amizade entre ambos.

 

*A Constelação Familiar Sistêmica é uma terapia breve pautada em três ordens do amor: Hierarquia (todos têm um lugar e chegaram em uma ordem no sistema familiar), Pertencimento (todos do sistema familiar têm o direito de Pertencer) e Equilíbrio entre dar e receber (a relação entre todos os membros de um sistema têm que estar pautada também no equilíbrio da troca). A quebra de uma dessas ordens gera o emaranhamento sistêmico.

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