Sombra – o caminho da verdade liberta

máscara

O único caminho para o amor-próprio engloba o saber lidar com sua sombra. Estou falando do conceito criado por Carl Jung para uma das subpersonalidades que compõem toda a psique humana. A sombra é como uma face posterior do ego. Como descreve Stein (2015), é composta de certa imoralidade, agrega “características da natureza de uma pessoa que são contrárias aos costumes e convenções morais da sociedade”.  Todas as pessoas têm sombra, é inevitável.

Na nossa cultura somos ensinados a buscar a perfeição, mas isso é uma grande ilusão. Essa busca causa muito sofrimento, pois é sacrificante ter que se encaixar na exigência alheia para obter uma aprovação, além do que o preço é muito caro: o desrespeito consigo.

É comum que as pessoas demonstrem ser altruístas e dominar seus piores desejos, de modo a esconder o quão egoístas e egocêntricas são, na verdade às vezes não sabem exatamente o quanto carregam dessas características. A exceção refere-se às pessoas que criam uma “identidade negativa”, que se orgulham do seu lado negativo de ser, como da sua agressividade, ganância, arrogância. Nesses casos, na sombra está no seu lado sensível e sentimental.  Há ainda os psicopatas e sociopatas, que nada têm a perder e também se encaixam nessa exceção.

A questão é que nunca vivenciamos diretamente a nossa sombra. O ego da pessoa psicologicamente ingênua adota uma postura defensiva, de satisfação consigo e se colocando no papel de vítima, enquanto descreve o alvo da sua projeção como um monstro. Perde, então, a oportunidade de usar a experiência para melhorar-se.

É importante ter consciência da falsidade que é viver rejeitando a sombra, mas ao mesmo tempo quão difícil e doloroso pode ser o processo de integrá-la, pois afinal isso pode representar uma “inadequação” moral aos olhos da sociedade. No entanto, encarar e aceitar a sombra pode ser transformador, possibilitando encontrar nova energia e dissipar o tédio, que proporcionarão uma experiência mais completa de vida.

Stein diz que “se uma pessoa rechaça completamente a sombra, a vida é correta mas terrivelmente incompleta. Ao abrir-se para a experiência da sombra, entretanto, uma pessoa fica manchada de imoralidade mas alcança um maior grau de totalidade.”

A partir disso, que seja possível pensar, então, na integralidade, aceitando a sombra e permitindo que ela a leve a uma vida mais completa, mais intensa, mesmo que aos olhos da sociedade isso não seja correto. Correto é o que faz bem e permite viver da melhor forma possível nesse mundo cheio de dicotomia.

 

 

STEIN, Murray. O mapa da Alma. São Paulo: Cultrix, 2015

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