Depressão: a doença em favor da vida

Tristeza_pixbayAlgumas doenças atuam em favor da vida! Essa frase soa muito estranha mesmo, mas é verdade, especialmente quando se trata de depressão. Essa doença motivada, na maioria das vezes, por perdas é um grito da alma anunciando algo muito errado na caminhada e implorando por uma reinvenção dessa jornada.

Mas não é tão simples! Como preencher o vazio na alma deixado pelo ser amado que foi embora com a certeza de que não volta? O vazio por um sonho não realizado, pela infância roubada; espaço, voz e identidade perdidos?  Desmorona-se o chão. É compreensível que se queira morrer junto com o que foi perdido; são aceitáveis a dor e a tristeza, por um tempo.

Porém, temos dificuldades em avançar etapas, assumir algumas perdas como algo natural e parte da nossa história. Somos mestres em querer eternizar de uma forma concreta – sem muitas vezes nos dar conta dessa impossibilidade – bons momentos, relacionamentos, status social, amizades etc.

No entanto se, ao invés de focar na dor, for possível olhar em outra direção, verás que a vida pede passagem, se abrindo em novas possibilidades, principalmente de descoberta interior, novas capacidades, habilidades, certezas. E surge, então, uma nova estrada para um recomeço e o novo capítulo dessa história pode ser tão bom quanto era a jornada anterior à perda, sem desrespeitar tudo o que já se viveu.

Quando falo em depressão sempre procuro ilustrar com o mito de Deméter, a Grande Mãe que perdeu a filha inocente Core para o submundo e entrou em profunda depressão por não saber viver sem exercer a sua maternidade. Para Core, a ida ao submundo também foi dolorosa, mas transformadora. De menina passou à mulher: Perséfone.  A história resumida nos conta que Core, Perséfone e Deméter são a mesma mulher.

A dor que Deméter sentiu com a perda da filha remete à dificuldade que teve ao longo da vida de superar seus lutos pela perda da infância, da juventude e, em seu ingresso ao estado de anciã, de uma fase da vida que deixa para trás o cuidado com filhos, às vezes com o companheiro, a força de trabalho, a produtividade financeira, entre outras coisas. E isso pega de jeito tanto mulheres como homens.

Contudo, antes que a nossa alma grite desesperada por ajuda através da depressão, cabe aprender ser amoroso consigo, conscientizando-se de que nada é para sempre, de que desde tenra idade somos estimulados a desenvolver um juiz implacável e carrasco que não nos permite acolher as próprias falhas, mas a perfeição é mera ilusão. A nossa alma pede para que possamos nos amar, acima de tudo, exatamente como somos. Dessa forma, não haverá espaço para depressão. Apenas aquele que ama a si próprio é capaz de amar os outros e se deixar receber o amor que vem de fora!

 

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