Ávidos por amor, o perdemos no apego exagerado

gaiola_Aleax_pixabay“Eu tenho 20 gaiolas com pássaros em casa, gosto de acordar e ouvir o canto deles”. Essa afirmação de um amigo me chamou a atenção, assim como muitas outras com o mesmo sentido que ouvi nos últimos dias.

Questionei-o: você percebe que, com isso, impede que o mundo tenha mais pássaros, que privou esses animais de conhecer árvores, outros lugares, outros pássaros, de viver outra vida, livre, intensa, feliz? Que seria de você se estivesse restrito a um pequeno ambiente, privado de viajar, conhecer outros lugares, ambientes, outras pessoas, de se relacionar, de amar? Ouvi um: “para, Lia. Os bichinhos me adoram. EU NÃO CONSIGO mais ficar sem eles!”.

É! A maioria de nós seres humanos é assim, aprisiona, controla, na tentativa de ser feliz. Desconhecedores do próprio âmago, muitas vezes acreditamos que a felicidade está em manter o outro por perto, nomeamos esse egoísmo disfarçado de cuidado, sem nos atentar que estamos apenas preocupado com o nosso querer, com a nossa própria satisfação.

EU QUERO acordar com o som do canto dos pássaros, por isso aprisiono-os numa gaiola; EU e meu marido/esposa somos plenamente felizes porque temos um ao outro; EU QUERO que meu filho estude medicina ou economia para “se dar bem na vida”… e assim cresce a nossa lista do eu, que priva o outro da liberdade de ser quem ele é, fazer o que quer e viver a vida que deseja viver.

Ávidos por amor, o perdemos no apego exagerado. Amar não tem a ver com aprisionar, controlar, pelo contrário tem haver com confiar, ensinar o outro a se cuidar, querer que o outro “se dê bem na vida” fazendo o que lhe enche a alma e o coração. Porém, muitos, perdidos de si mesmos, podem nunca saber disso.   O Universo é uma fonte de amor e o ser humano ignora isso (claro, não generalizando; aliás, em nenhuma das menções no texto).  Por que não olhar e ouvir o canto dos pássaros em seus próprios ninhos, no topo de uma árvore?

Eu sou vegetariana, e isso sempre causa uma série de discussões com questionamentos, a meu ver, descabidos em conversas com colegas e amigos. Há pouco tempo, estive com uma amiga e a conversa tomou o seguinte rumo: “Mas imagine se todos no mundo deixassem de comer carne, o mundo ficaria cheio de animais e haveria um descontrole no Ecossistema!”. É cara-pálida, será que não somos nós os homens, justamente com essa matança desvairada de animais, da natureza em geral, que estamos desequilibrando o Ecossistema?

Eu respeito muito quem está num momento diferente do meu. Entendo, agora, que cada um tem um tempo para o entendimento das coisas. Mas é preciso que paremos pra pensar sobre muitas coisas, nosso mundo está longe de ser equilibrado e enquanto o ser humano continuar achando que precisar prender, controlar e matar (até mesmo um animal) para satisfazer suas vontades, o mundo vai continuar crescendo em desequilíbrio. Pare! Pense!

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