Ciúme: Quando está perdido em si mesmo, o indivíduo busca se achar no outro

Ciume-Geralt_PixabayVocê já parou para pensar o que é o ciúme? Quais palpites arriscaria? Seria um sentimento de posse, medo de perder algo ou alguém que ama (ou imagina amar), insegurança, egoísmo?

Seja o que for que tenha respondido, é importante saber que o ciúme é comum a todos os seres humanos em algum momento da vida e um sentimento exclusivamente humano. Para Vanda Benedito, no livro “Amor conjugal e terapia de casal”, pode ser um dos itens acima ou um pouco de cada um deles, a depender do tamanho do ciúme em relação ao objeto de estima.

Se sentimos ciúmes é porque o alvo desse sentimento possui qualidades e características que admiramos e queremos só para nós, e quanto a isso podemos dizer que trata-se um pouco de egoísmo, característica preservada do nosso eu mais primitivo.

Benedito diz, se apoiando na teoria analítica de Carl Jung, que em um relacionamento buscamos pela satisfação dos nossos desejos através do que ele chama de projeção do nosso lado masculino ou feminino em relação ao companheiro do sexo de nosso interesse. Porém, “tomar posse” de uma pessoa buscando essa satisfação plena pode ser o fracasso do relacionamento.

Mas o ciúme não existe apenas no relacionamento a dois, existe entre irmãos, entre amigos, entre pais e filhos e, nesses casos, vale a mesma análise. Ninguém vive sufocado pelo ciúme por um grande período e, se vive, não o faz de forma feliz.

A chave para se livrar desse sentimento tão destruidor é reconhecer-se suficiente em si mesmo, ou seja, encontrar em si próprio a razão da vida e a fonte de satisfação dos nossos desejos, não colocando no outro a responsabilidade pela nossa felicidade. Benedito diz que  “o indivíduo que não consegue tomar para si aquilo que constitui parte de seu mundo interno fica perdido de si mesmo, buscando achar-se no outro” (BENEDITO, 1996, P. 21).

Se formos capazes de encontrar dentro de nós mesmos a razão da nossa felicidade, ao outro só caberá o papel de agregar ao relacionamento a parte da felicidade que é dele e, nesse caso, a probabilidade de uma união plena é muito maior, e os terceiros não apresentaram ameaças. Vale para todos as formas de relacionamento.

O melhor da vida é compartilhar aquilo que é bom, seja um bom amigo, uma boa conversa, bons irmãos e até um amor, desde haja respeito mútuo. O mais importante é saber que nessa liberdade, o amor prevalece, nosso espaço está garantido e nada há a perder. Nada adianta manter alguém por perto, se essa pessoa estiver “acorrentada”, pressionada, com medo ou seja lá o que for.

Parafraseando um autor desconhecido, mas extremamente sábio: “Lindo mesmo é quando alguém escolhe pousar ao nosso lado, podendo voar. E, mesmo podendo até encontrar outros ninhos, outros caminhos, escolhe ficar”.

 

 

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