Cuide das suas dores – as do corpo e as da alma

Muitas pessoas nunca pararam para pensar em como o nosso corpo reage às nossas emoções. Estudando sobre transtornos psicossomáticos entendi mais a fundo essa ligação entre corpo e mente e sobre como é importante darmos atenção à voz do nosso corpo. Hoje, existe uma campanha praticamente em massa para se cuidar do corpo, fazer atividades físicas, descansar, se alimentar bem etc. Todos nós sabemos sobre os benefícios dessas práticas.

Porém, será que é o suficiente? Será que cuidar apenas do nosso corpo físico é uma garantia de que ficaremos bem? É claro que quando não estamos bem fisicamente, doentes, nossa mente não reage de forma 100% eficiente, mas quando estamos com a saúde física nota 10, entretanto, entristecidos, estressados, sem paciência, como será que responde o nosso corpo?

Quem nunca presenciou o relato de um conhecido ou passou por uma insônia, uma enxaqueca “sem motivos aparentes”, dores musculares ou outros desconfortos que nada mais são que um indicativo de que algo na nossa mente não está legal. O problema é que pouca atenção damos para a resolução dos conflitos do dia a dia e o nosso corpo vai acumulando essas dores até transformá-las em doença, mais graves – ou nem tanto – de lidar. Por isso é tão importante olharmos para as questões que nos afligem, até as mais simples.

A predisposição do impacto da psique no corpo vem desde os primeiros momentos de vida, afinal não é possível desconectar mente e corpo. Porém, o que eu quero dizer é que grandes autores da Psicanálise já se dedicaram aos estudos que como a dor emocional reverbera no corporal.

Segundo o psicanalista e pediatra inglês Donald Winnicott (1964), o bebê quando nasce passa por um total estado de desamparo e o cuidado de um adulto – satisfazendo ou não suas necessidades básicas – vai registrar memórias importantíssimas no seu psique, que vão reaparecer e influenciar todo o desenvolvimento do indivíduo.

Em situações em que esse bebê não é atendido em suas necessidades básicas, ele vai ser marcado com um sentimento de angústia. Como ele ainda não tem recursos psíquicos para elaborar essa falta – o ego do bebê é muito rudimentar e seu contato com o mundo inicialmente é exclusivamente físico – essa experiência vai surgir como um fenômeno no corpo.

Melanie Klein, psicanalista austríaca, também falou que as dores da alma reverberadas no corpo são vivências ainda da tenra infância, no qual não houve um cuidado adequado com as necessidades do bebê.

Ela diz que o bom desenvolvimento do bebê se dá pelas fantasias inconscientes – pela qual o bebê vai fazer o seus primeiros contatos com o mundo externo. E quando essas fantasias são frustradas e vistas como reais e, se transformadas em crenças, podem gerar problemas psíquicos e, consequentemente, comportamentais com extensão para o corpo.

Contudo, é importante pensar sobre o como estamos lidando com nossas frustrações e desafios no dia a dia. Na infância não tínhamos recursos suficientes para lidarmos com as nossas frustrações e isso de alguma forma teve efeitos no nosso corpo. E hoje? será que nossas dores corporais não nos apontam que talvez falte um pouco de manejo na elaboração das nossas dores emocionais? e que não estamos lidando adequadamente com determinada situação.

E, claro, nem todas as situações vão se mostrar para nós com soluções possíveis e imediatas. Nesses casos, será que não seria a hora de nos preocupar em encontrar caminhos mais saudáveis para a nossa vida – mente e corpo?  Afinal, quando “A cabeça não pensa, o corpo padece”.

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