Beleza Oculta – Tempo, Amor e Morte (Filme de David Frankel)

O que a morte tem a nos dizer sobre a vida?

Esse filme traz uma reflexão belíssima sobre a vida e intensa sobre o luto patológico.

Howard, um profissional brilhante e homem de sucesso, cai em depressão após a morte da filha de seis anos. Consequentemente, se separa da esposa e se isola – sintoma comum em casos depressivos. O refúgio de Howard é uma distração que era frequentemente praticada com a filha, enquanto era viva: a construção de prédios de dominós.

Na sua dor, Howard confronta, briga com a morte; questiona o tempo e rompe com o amor.

Quem, diante de uma perda, nunca fez isso? Ele parte para um luto patológico, não vê mais sentido para sua vida sem sua filha; esquece mulher, amigos e o trabalho.

Os sócios de Howard, diante da possibilidade da perda financeira em razão da doença do amigo, tentam tira-lo do atual estado, personificando o tempo, o amor e a morte de forma que esses três possam confrontar o executivo sobre seu novo estado de vida. O que decorre daí em diante é belíssimo porque leva os agentes dessa ação a refletirem sobre questões próprias que impedem sua plena felicidade.

O principal retrato dessa produção, ao meu ver, do ponto de vista psicológico, é o luto patológico vivenciado por Howard, que retrata tantas vidas no mundo real ainda incapazes de refletir sobre e aceitar o ciclo vital humano ou a interrupção precoce deste por circunstâncias inerentes à vida.

Não estou aqui querendo aligeirar e tornar menos importante o processo de luto; é uma dor extremamente válida e precisa ser vivida. Só não pode paralisar o indivíduo, tornando-o incapaz de viver a própria vida.

Não pensar na morte, no tempo que nos resta, no que fazemos dele e no amor que dedicamos àqueles que vivem conosco, torna mais provável o luto patológico. Por isso, é tão importante lutar contra o que muitas vezes a sociedade impõe e buscar um equilíbrio entre ganhar dinheiro e viver bem consigo mesmo e com aqueles que ama.

É preciso pensar sobre a morte para não lamentar depois a falta de tempo, as palavras não ditas, o amor não expressado.

Pode parecer clichê, mas não é! Quando não nos confrontamos com essa possibilidade, quando não falamos do assunto, não notamos o tempo que se esvai – e com ele a vida -, a chance de adoecer diante da morte é muito maior. E não à toa abarca tantas pessoas atualmente.

A morte, embora seja uma etapa natural da vida, ainda é um tabu. Por isso, defendo, para o bem geral – corpo e mente – que falemos sobre a morte, de forma que o luto possa ser vivenciado de maneira saudável. Sim, é possível!

Eliane Leite

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